


Não damos por nada mas a verdade é que passamos a nossa tão curta vida a desperdiçar tempo.
Só damos valor quando perdemos, quando choramos, quando não há volta a dar, e isso é injusto para as pessoas ao qual não chegamos a dizer adeus ou obrigada.
Basta um copo a mais numa saída á noite, basta calcar um pouco mais no acelerador, basta por um pé fora de casa, basta somente respirar para poder não voltar a ver aqueles que amamos.
Às vezes somos injustos, porque não conhecemos realmente as pessoas com quem falamos. Gritamos, dizemos que são mentirosos, falsos, mas não sabemos o que vai dentro do seu coração, o que paira na sua cabeça, simplesmente não as conhecemos.
Às vezes ponho-me a pensar, é um defeito talvez, o quanto está ensanguentada a estrada que estou a pisar, quantas pessoas já morreram ou ficaram feridas dentro do carro que estou a ocupar, quantos já cantaram as canções que me passam pelos lábios e as cantaram tristes, a chorar, quantas pessoas já destrataram e renegaram a pessoa com quem falo e sorrio por ela ser tão simpática e querida, quem me garante que a pessoa que neste momento me deixa mais feliz daqui a uns dias venha correr atrás de mim para me magoar.
Às vezes sonho, quantas pessoas já partiram uma viola, quantas pessoas já tentaram cortar os pulsos, quantos já desistiram, quantos já enlouqueceram, quantos já desesperaram, quantos já se afogaram propositadamente, quantos já tiveram a coragem de apertar o gatilho da arma que está apontada à sua cabeça, quantos já enrolaram uma corda áspera ao seu pescoço deixando este mundo dolorosamente, quantos e quantas já passaram por esta dor…
Quantos já sofreram sozinhos e acabaram sozinhos, quantos que podiam fazer deste Mundo um sitio mais Feliz, só que lhes faltou uma oportunidade, que ninguém lhes soube dar.
Quantos já partiram e só viram as lágrimas das pessoas que amavam e admiravam num momento em que já não os podiam abraçar e reconfortar.
Quantos é que o mar, o vento, a terra e até o céu já levou e ninguém deu por nada, ninguém fez um momento de silêncio ou depositou uma rosa no mar.
Quantos matam, ferem e destroem porque nunca ninguém teve o trabalho de perguntar como é que ele estava, se precisava de ajuda ou apenas de conversar e de umas palavras de afecto, de um abraço.
Quantos morreram de fome, de frio, de solidão…
A dor é universal, afecta a todos da mesma maneira, e quem sabe um dia poderemos ser nós a cair no esquecimento e a morrer sem um “Vais fazer cá falta. Adoro-te”.
(Lágrimas...)
[Daniela Lima]
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