Acho que me voltei a apaixonar.
Fiquei mal depois daquela despedida e não quis voltar a sair, preferi ficar em casa a folhear os livros velhos e empoeirados que estão no caixote debaixo da secretária.
Mas hoje foi diferente, alguém me puxou, alguém quis que eu fosse passear ao seu lado com mais umas amigas, alguém que já me conhece à muito tempo e já partilhou comigo, e eu com ela, muitas das nossas dores, e eu cabisbaixa lá acabei por aceitar.
Não me dei ao trabalho de me produzir, apenas vesti uns jeans azuis, uma T-shirt branca e calcei uns ténis da Nike já antigos e amarelados do uso.
Soltei o cabelo, coisa que já não fazia à muito, mas não o penteei porque não consegui, parece um “ninho de ratos” tão mal tratado que está, e não pus maquilhagem apesar do acne que reina na minha face.
Estava sem vontade, só sai para poder respirar algum ar puro e matar saudades das amigas que já não via á muito.
Fomos a um café, comer um gelado, beber um café, elas estavam animadíssimas mas eu não estava a ser uma boa companhia, não prestei atenção à conversa, não acompanhei as piadas, estava pálida e estranha por já não ver o sol há tanto tempo, apesar de ser Verão e estarem aproximadamente 38ºC.
Até que na mesa ao lado se sentou um jovem rapaz, deve ter a minha idade, com pequenos caracóis a saltarem-lhe na cabeça, a pele morena beijada pelo sol, os olhos verdes, o corpo docemente esculpido e musculado, alto e com um sorriso que arrepiava de tão simpático e bonito.
Segui-o com o olhar, disfarçadamente, pediu com delicadeza o café ao empregado, e esperou sem presas, olhou em volta e sorriu ao cruzar o seu olhar com o meu, e eu senti o rosto corar. Depois o café chegou, deliciou-se, esperou um pouco, voltou a cruzar o seu olhar com o meu e voltou a sorrir, e o encarnado voltou a pintar as minhas maças do rosto.
Levantou-se serenamente, pagou e sorriu ao empregado, depois dirigiu-se na direcção da minha mesa, que estava perto da porta, passou e desejou “Boa Tarde” e eu senti os seus suaves dedos tocarem nos meus cabelos rebeldes.
A voz dele era doce, pura, serena, transmitia segurança e conforto.
Ele era lindo e simpático, aquele rapaz moreno do café, e a partir da sua saída eu acompanhei as conversas, ganhei cor, ouvi as piadas e ri alto e a bom som, partilhei momentos e sentimentos.
A cada movimento de alguém que passava pela mesa, onde ele tinha estado sentado, vinha ter comigo um doce cheiro.
Valeu a pena sair, porque aquele simples sorriso fez me voltar a ganhar vida e a sorrir… Espero voltar a vê-lo…
(Boa Tarde *.*)
[Daniela Lima]
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