Sinto que as
palavras já não me satisfazem da mesma maneira, que os rios já não correm para
o mesmo lado e que não há nenhum tipo de mecanismo mágico para fazer parar as
lágrimas…
Sinto que o
papel não faz justiça aos meus sentimentos, que a música não faz o sentido que
sempre fez, que as roupas estão sujas e espalhadas pelo ar…
Já nada faz
sentido e não é justo arrastar o mundo comigo, o meu mundo comigo…
Tenho
saudades da inocência, da pureza, da simplicidade, de um sorriso simples na hora
certa, de um abraço e de um beijo reconfortante.
Quero que os
meus anjos da terra não voem para longe, que os pássaros cantem à minha janela
e que tu não te vás, que seja sempre uma manhã de primavera e que a minha
loucura desapareça!
Porque hoje
eu caí da cama, saí do sonho, e magoei o meu coração, porque hoje deu aquele
aperto que me fez chorar e gritar à janela que não valho nada, que não sirvo
para nada e que nada faz sentido…
Não é justo,
não devia ser possível cair assim, não devia ser permitido que os anjos fossem
embora, que os pássaros voassem para longe da minha janela e que eu tenha que
voar com eles, mas na direção oposta, em direção ao medo, ao desconhecido, ao
empodrecido Mundo dos humanos.
Não devia
ser permitido acordar dos sonhos, magoar as pessoas, chorar, não devia ser
permitido que as coisas não façam sentido…
Deixem vir a
mim os pássaros e deixem-me sonhar!
Anjos não
voem para longe, porque eu preciso de um abraço….

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