quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Dias de tempestade



Por momentos perdi-me no tempo e nem mesmo a chuva gelada que me escorra pelo rosto é capaz de me acordar deste sonho...
É daqueles meses, daquelas semanas, daqueles dias e daquelas horas, é daqueles tempos, daquele tempos que não vale sequer a pena falar, é mesmo quando vês o teu maior aliado inundado de felicidade e por muito que queiras esboçar um sorriso para ele, ele não sai, ele não é capaz de se mostrar, porque ele não é hipócrita,  não é falso, e não é capaz de se mostrar, porque mesmo tu dizendo que não te importas sentes que o motivo dessa felicidade foi uma facada nas tuas costas...
É daqueles dias em que te apetece saltar de um rochedo, atiras-te com toda a vontade às ondas do mar, deixando bem claro que não sabes nadar, é daqueles dias de tempestade, em que parece o fim do Mundo, e no céu reinam trovões, há estrondos sinistros e chuva, água que cai do céu e teima em não parar, mas mesmo assim tu sentas-te na rua, de braços abertos voltados para o céu, à espera de quê perguntas tu!? Nem eu sei, a verdade é que nem eu sei, mas é o que dá vontade, dá vontade de pedir a Deus para te cair um raio em cima, que se abra uma vala no chão, que caiam pedras do céu, que os carros se despistem e que hajam colisões horrendas, que se crie uma mancha de sangue, uma mancha do teu sangue e uma corrente de desastres.
As tuas lágrimas juntar-se-ao à chuva, a tua raiva aos trovões e a tua mágoa juntar-se-á a todo o Mundo, porque ele, ele está perdido como tu, como eu, mas de nós eu ainda tenho esperança, mas dele, dele esperemos para ver...


[Eu, em dias de tempestade...]  

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